sábado, 27 de agosto de 2011

quinta-feira, 2 de junho de 2011

segunda-feira, 2 de maio de 2011

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Politicamente correto?

                            
                                                                                                                Oleg Dou

O CRAVO NÃO BRIGOU COM A ROSA

Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto.  Soube dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais O cravo brigou com a rosa. A explicação da professora do filho de um camarada foi comovente: a briga entre o cravo - o homem - e a rosa - a mulher - estimula a violência entre os casais. Na nova letra "o cravo encontrou a rosa/ debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz /e a rosa ficou encantada". 
Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha.  Será que esses doidos sabem que O cravo brigou com a rosa faz parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro?

É Villa Lobos, cacete!

Outra música infantil que mudou de letra foi Samba Lelê. Na versão da minha infância o negócio era o seguinte: Samba Lelê tá doente/ Tá com a cabeça quebrada/ Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas. A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a menina Lelê. A tia do maternal agora ensina assim: Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar.
Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca. Os amigos sabem de quem é Samba Lelê? Villa Lobos de novo. Podiam até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, de Heitor Villa Lobos e Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz.

Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que a música desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichinhos. Quem entra na roda dança, nos dias atuais, não pode mais ter sete namorados para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil. Ninguém  mais é pobre ou rico de marré-de-si, para não despertar na garotada o sentido da desigualdade social entre os homens.

Dia desses alguém não me lembro exatamente quem se saiu com essa e não procurei a referência no meu babalorixá virtual,  Pai Google da Aruanda, foi espinafrado porque disse que ecologia era, nos anos setenta, coisa de viado. Qual é o problema da frase? Ecologia, de fato,  era vista como coisa de viado. Eu imagino se meu avô, com a alma de cangaceiro que possuía, soubesse, em mil novecentos e setenta e poucos, que algum filho estava militando na causa da preservação do mico leão dourado, em defesa das bromélias ou coisa que o valha. Bicha louca, diria o velho.

Vivemos tempos de não me toques que eu magôo. Quer dizer que ninguém mais pode usar a expressão coisa de viado ? Que me desculpem os paladinos da cartilha da correção, mas isso é uma tremenda babaquice. O politicamente correto é a sepultura do bom humor, da criatividade, da boa sacanagem. A expressão coisa de viado não é, nem a pau (sem duplo sentido), ofensa a bicha alguma.

Daqui a pouco só chamaremos o anão - o popular pintor de roda-pé ou leão de chácara de baile infantil - de deficiente vertical. O crioulo - vulgo picolé de asfalto ou bola sete (depende do peso) - só pode ser chamado de afrodescendente. O branquelo - o famoso branco azedo ou Omo total - é um cidadão caucasiano desprovido de pigmentação mais evidente. A mulher feia - aquela que nasceu pelo avesso, a soldado do quinto batalhão de artilharia pesada, também conhecida como o rascunho do mapa do inferno - é apenas a dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade. O gordo - outrora conhecido como rolha de poço, chupeta do Vesúvio, Orca, baleia assassina e bujão - é o cidadão que está fora do peso ideal. O magricela não pode ser chamado de morto de fome, pau de virar tripa e Olívia Palito. O careca não é mais o aeroporto de mosquito, tobogã de piolho e pouca telha.

Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar o Aleijadinho. Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboa tinha necessidades especiais... Não dá. O politicamente correto também gera a morte do apelido, essa tradição fabulosa do Brasil.

O recente Estatuto do Torcedor quer, com os olhos gordos na Copa e 2014, disciplinar as manifestações das torcidas de futebol. Ao invés de mandar o juiz pra putaqueopariu e o centroavante pereba tomar no olho do cu, cantaremos nas arquibancadas o allegro da Nona Sinfonia de Beethoven, entremeado pelo coro de Jesus, alegria dos homens, do velho Bach.

Falei em velho Bach e me lembrei de outra. A velhice não existe mais. O sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso pé na cova, aquele que dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cliente do seguro funeral, o popular tá mais pra lá do que pra cá, já tem motivos para sorrir na beira da sepultura. A velhice agora é simplesmente a "melhor idade".

Se Deus quiser morreremos, todos, gozando da mais perfeita saúde. Defuntos? Não. Seremos os inquilinos do condomínio Cidade do pé junto.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010


Oração do Palhaço


Senhor,
Fazei de mim um instrumento musical,
Capaz de fazer barulho e de fazer silêncio,
E de quebrar o ritmo do tédio
Que o pão nosso de cada dia por vezes nos traz...
Perdoai as minhas ofensas, são ossos do oficio!
Daí-me o Conflito!
E que minha analista não os desfaça.
Ah, Alegria cheia de graça.
Bendita é entre os sentimentos!
Bendito és tu Palhaço!
Que venham a mim as criancinhas predispostas a sorrir
E que durmam aquelas que têm medo.
Que minha fé cênica cresça a cada dia,
Na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza,
Faça chuva ou faça sol!
Que venham á nós os patrocinadores desapegados á matéria;
E nos deixe cair na tentação de xingar o chefe de vez em quando!
E livrai-nos do mal do desemprego!
Ame.


Texto: Inventário - Doutores da Alegria - RJ

EGBERTO GISMONTI - PALHAÇO

Blindagem e OSP


Sangiorgi e Paulo Teixeira

Tralálá...

"Pato" Romero

Ensaio geral

Paulo Juk

Blindagem e OSP 
 Quinta-feira dia 25, às 21:00 horas, no Guairão

O "Rock em Concerto III" é resultado de inúmeros pedidos de fãs e do público em geral para que um novo encontro acontecesse, agora com o novo vocalista da Blindagem, Rodriggo Vivasz. "Quem viu a primeira e a segunda edições do concerto terá algumas surpresas, pois o espetáculo ganhou novidades, especialmente quanto ao repertório e a convidados especiais.


Cuidadosamente selecionado, grande parte do repertório foi mantido e reúne um pouco de cada um dos discos da Blindagem, incluindo alguns clássicos como "Oração de um Suicida", "Cheiro do Mato" e "Além do Silêncio". Para adaptar o repertório roqueiro à realidade de uma orquestra com 70 integrantes, cinco arranjadores trabalharam nas canções: Alexandre Brasolin, Davi Sartori, Marco Aurélio Koentopp, Marcos Antonio de Lazzari Junior e Ricardo Petracca. 


A Blindagem é a primeira banda no Brasil a realizar um projeto deste porte, a exemplo do que já fizeram Beatles, Queen, Kiss e Metallica. A Banda foi fundada no final dos anos 70 e tornou-se a banda mais conhecida do Paraná ao longo dos anos. É formada pelo vocalista Rodriggo Vivazs, por Paulo Teixeira (guitarra), Alberto Rodriguez (guitarra), Paulo Juk (baixo) e Rubén 'Pato' Romero (bateria). 
(Fonte AI/CCTG)

* Rapidamente fotografei o ensaio hoje pela manhã e do pouco que escutei, a voz do novo vocalista lembra muito a de Ivo... mesmo sabendo que todos que batem asas estão muito bem obrigada,  os olhos aguaram...